Gamificação não é decoração

Quando falamos de gamificação na educação, muita gente pensa em pontos, estrelas e barras de progresso coladas sobre conteúdo tradicional. Mas gamificação real, segundo Kapp (2012), é o uso de elementos de game design — narrativa, regras, feedback, estética, curvas de interesse — em contextos educacionais.

A diferença é crucial: gamificação sem propósito pedagógico é distração. Gamificação integrada ao design instrucional é ferramenta de aprendizagem.

O caso dos estudantes surdos

Para estudantes surdos, a gamificação tem um potencial especial:

  • Reduz a dependência de texto escrito — interfaces visuais, ícones e feedback imediato
  • Amplia o engajamento — mecânicas de jogo naturalmente visuais
  • Oferece feedback imediato — sem depender de mediação síncrona

Fernandes, Carvalho e Leite Júnior (2024), ao adaptar o jogo Interactions 500 para Química Orgânica, evidenciaram um ganho de 14% nos acertos dos estudantes surdos na sessão interpretada em Libras, contra apenas 4% entre ouvintes.

A conclusão é clara: gamificação sem tradução para Libras não configura inclusão real.

Nossa abordagem

No Exatas Libras, a gamificação está prevista para ser articulada à Libras:

  • Trilhas de progressão — a organizar por disciplina e nível
  • Desafios conceituais — nos quais o componente linguístico seja parte do desafio
  • Recompensas visuais — conquistas, badges e placares colaborativos previstos
  • Feedback imediato — a construir em Libras, não apenas em texto

A proposta é que o estudante surdo não apenas "jogue", mas construa conhecimento enquanto joga.

Inspirações

O design do projeto se inspira em iniciativas de referência internacional. As características abaixo são desses projetos, e não resultados do Exatas Libras:

ProjetoAbordagemResultado
Aprendendo com TeobaldoGamificação + alfabetização L2Tecnologia assistiva para inclusão
AcessaExataJogo digital de FísicaPreferência por intérprete real
ASL AspirePlataforma gamificada STEMDados pedagógicos para professores

O que vem a seguir

A pesquisa prevê a cocriação com professores, TILS e estudantes surdos em Uberlândia, seguida de ciclos iterativos de pesquisa-ação. A aplicação em sala de aula e a validação em contexto escolar ainda não ocorreram: são etapas futuras, a serem ajustadas com base nas evidências coletadas.